um haijin abre a janela – desperta um haicai
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sol atrevido lambe gotas de orvalho – surge a manhã
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saudações ao sol – outro dia renasce na minha aldeia
primavera já? ainda sinto frio – flor nenhuma
bola amarela rompe a montanha – parto do dia
evaporaram as borboletas brancas – desequilíbrio
sol não dá trégua a flor pequena tenta tocar o rio
manhã de sol outros meninos brincam no rio que era meu
ando descalça sobre as pedras quentes do sol do dia
já é abril vou abrir as janelas e ouvir o vento
amanhece madrugadas mais frias – é maio
outono já todos convidados para o chá
respiro fundo trago os olhos vermelhos do ar de outono
final de outono: embaçaram os olhos da noite
luar de outono e o velho telhado – brilha
o céu vermelho o sol mais apressado – já é inverno
manhã de inverno brinca de esconde-esconde o menino sol
ainda sem nome – já alegrou a casa o pequeno cão
horizonte rubro outro pássaro ousou tocar o sol
apesar do frio entre as pedras da rua há uma flor
céu tão bonito – mas como estão frias as pedras da rua
rego meus olhos vasos de sol-se-flor de murano e junco
na madrugada lacrimejam os olhos da vidraça
pássaros em fuga rumo ao pôr do sol – voam os dias
vazio o ninho – tão breve infância de passarinho
pulsa a cidade um sol quase poente cega meus olhos
de metileno pássaro azul pequeno átimo de céu
lá fora o sol aqui dentro mormaço tempo quente
o muro branco tinto de sol se pôr resplandece
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morta de sede flor pequena se curva e toca o rio
o vento sopra já não há borboletas só voam folhas
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alimento e cor canteiro em flor — vermelha pássaro feliz
Bashô Leminski – mas meu haicai não sai
quase extintas corujas se escondem dos predadores
terra molhada:- chuva faz despertar a flor
a chuva mansa restitui à paisagem a face verde
parece sorrir depois de longo estio a boa terra
chuva sol calor e frio – o tempo enlouquecido no planeta aquecido
vôos rasantes andorinhas perdidas — sinal de chuva ou ventania
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coisa mais bonita gente ou passarinho ver fazer ninho
vergam meus ombros sob o peso das pétalas dos miosótis
tecer palavras em tempos de silêncio arte : ofício
furtiva mente – o balão lua cheia escapuliu
toque de sertão no meu chá inglês com rapadura
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porque já já é tempo bom de se esperar espero
Bono me olha com seus olhos de cão – e eu sou mais gente
cultivo árvores de lanternas no meu jardim
no sub solo do ser tão árido brota a palavra
halo de lua – da espada de Jorge puro reflexo
estranho dia o sol parece sentir frio
mãe natureza somos todos rebentos em busca de sol
verso é pátria construí minha casa sobre este chão
bambus no vento: no tronco habita a força no oco, a paz
a vida é fio que ela mesma corta – quem tiver asas, voe
fogão de lenha tacho de cobre e a “nonna” saudade é doce
aqui tanto sol por aí, chuvas sem fim: humores do céu
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servem para quê e para onde seguem tantas palavras?
verão nos olhos inverno sob as asas sonha andorinha!
eu… meu cão… o sol… sob o mesmo céu – tudo é só preguiça
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poesia flor de primavera – nós ávidos beija-flores
pousa tão leve borboleta amarela – o sol nas asas
chuva e escuridão o mesmo céu da infância – sem lamparinas
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lua dourada brilha lá fora – hoje fatiada
lua no céu no meu quintal um cão aqui, solidão
a lua era cheia andei delirante: caí na real minguante
dança na janela vermelha e branca asa pássaro é flor
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